Li & Recomendo: Ben-Hur

Olá, estimados leitores, estou de volta com a resenha de um livro que simplesmente me ganhou por completo. Um clássico da literatura mundial que sinto muito não ter lido antes, mas que nunca é tarde para ler. Aviso desde já que a leitura desse livro não é fácil e exige um pouco mais do leitor, no entanto, vale muito a pena quando se chega ao seu término. Espero que gostem!


Uma arrebatadora história dos tempos de Cristo

Muitas histórias ao longo de gerações vêm encantando milhares de leitores, seja pela simplicidade de suas narrativas, geralmente com profundidade suficiente para preencher o oceano; seja por toda carga emotiva, informativa e intelectual que, consequentemente, nos leva a grandes reflexões ou ainda pela maneira despretensiosa como que se propõem a narrar uma história sendo ela baseada em fatos ou não.
Tais histórias, além de perdurarem por muitos anos, criando um legado incontestável que a torna, por conseguinte,  um clássico, vira e mexe vem à baila por intermédio de inúmeras adaptações, tudo para levar ao leitor atual um pouco de qualidade e vitalidade que somente os bons clássicos da literatura mundial podem proporcionar; assim sendo, Ben-Hur (Jangada: 2016, 535 p.) de autoria do americano Lewis ou Lew Wallace, de modo primoroso, nos conta a trajetória de vida sofrida, porém gloriosa, do personagem que  dá nome ao título do livro.
Judá Ben-Hur é um judeu que vê a própria vida arruinada quando, equivocadamente, é acusado de cometer um crime, sendo seu acusador Messala, seu melhor amigo. Condenado a uma vida difícil de escravidão o jovem judeu tem o patrimônio da família confiscado e tão logo é separado de sua mãe (Miriam) e de sua irmã (Tirzah) cujo o paradeiro lhe é negligenciado por muitos anos aos quais ele se dedica a tramar um plano para vingar-se de seu algoz e recuperar a honra da família.
A trama contada em Ben-Hur tem como pano de fundo a história do próprio Jesus Cristo uma vez que a narrativa é ambientada na mesma época de sua trajetória que em dado momento se cruza com a trajetória do jovem judeu condenado a escravidão. Lew Wallace, de maneira muito detalhada, cria um paralelo entre as duas tramas, onde uma tem papel importantíssima na outra; assim, a trajetória de Cristo_ mostrado de modo muito mais humano do que mítico_ é acompanhada pelo seu conterrâneo Judá Ben-Hur que se torna um espectador passivo dos momentos decisivos que culminam no surgimento de uma as maiores religiões do planeta: o cristianismo.
A edição da Jangada, selo editorial da Editora Pensamento-Cultrix, traduzida integralmente do livro que também originou o filme de 1959, vencedor de 11 estatuetas do Oscar, foi feita com grande cuidado, pois além de trazer um prefácio do tradutor da obra para o público brasileiro, Davi Emídio Rago, apresenta inúmeras notas de rodapé que facilitam muito a vida do leitor uma vez que Ben-Hur não é um livro fácil de se ler e foi escrito por um autor que dedicou-se bastante aos estudos teológicos, históricos, geográficos, mitológicos e idiomáticos dos termos e conceitos apresentados ao longo da narrativa, isso numa época em que não existia internet, contando apenas com o auxílio dos livros das melhores bibliotecas que existam, conforme o observado por Rago em seu prefácio. Leitura mais que recomendada.


Curiosidade: O trecho abaixo foi extraído do prefácio da edição brasileira de Ben-Hur e achei curioso o fato de que o próprio Lew Wallace, após ser confrontado por um descrente convicto de sua época, ter pensado em escrever uma história para provar algo e, ao longo do processo de escrita, dar-se conta de uma resolução totalmente diferente de sua premissa inicial.


"Comecei a escrever um livro para provar que Jesus Cristo jamais teria vivido sobre a Terra. Então deparei-me que ele foi um personagem histórico tão real quanto Júlio César, Marco Antônio, Virgílio, Dante e uma legião de outros homens que viveram nos tempos antigos. Tal convicção tornou-se em mim uma certeza absoluta. Ao estudar seu caráter, não tive mais dúvidas quanto a ele ser o Filho de Deus; e, assim, abri totalmente meu coração a Ele". (Jangada: 2016, p. 8)

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